O processo de Real Time Kinematic (RTK) revolucionou o mercado de levantamentos topográficos ao oferecer alta precisão em tempo real. A chave para o sucesso de um sistema RTK está na quantidade e qualidade dos sinais GNSS recebidos. Neste artigo, exploraremos em detalhes quantos satélites são necessários para uma solução RTK estável, os motivos por trás desta exigência, as vantagens trazidas pelas constelações múltiplas e como os receptores Geomensura com 1408 canais se destacam nesse cenário.
O que é RTK e sua dependência de satélites
O método RTK baseia-se na recepção simultânea de sinais GNSS por uma estação base e por um receptor móvel (rover). A estação base, instalada em um ponto de coordenada conhecida, transmite correções em tempo real para o rover, que ajusta sua própria posição com precisão centimétrica.
- A RTK exige comunicação contínua entre base e rover (VHF, UHF, GPRS/4G).
- As correções preenchem erros de relógio satelital, ionosféricos e troposféricos.
- O número de satélites visíveis influencia diretamente na rapidez do “fix” e na confiabilidade da solução.
Como funcionam as constelações GNSS
Atualmente, as constelações GNSS disponíveis incluem GPS (EUA), GLONASS (Rússia), Galileo (Europa), BeiDou (China), QZSS (Japão) e NavIC (Índia). Cada sistema opera em diversas faixas de frequência, permitindo níveis crescentes de redundância e robustez.
- GPS: ~31 satélites em L1, L2 e L5.
- GLONASS: ~24 satélites em frequências L1 e L2.
- Galileo: ~28 satélites em E1, E5a, E5b, E6.
- BeiDou: ~35 satélites em B1I, B1C, B2a, B2b, B3I.
- QZSS: 4 satélites focados na região asiática (L1S, L1C, L2C, L5).
- NavIC: 7 satélites regionais cobrindo a Índia (L5, S-band).
Com mais satélites e frequências, minimiza-se a indisponibilidade de sinais e melhora-se a geometria de visibilidade (DOP).
Por que existe a necessidade de múltiplos satélites em RTK
Determinação de posição tridimensional
Para calcular latitude, longitude e altitude, bem como corrigir o relógio do receptor, são necessários ao menos quatro sinais GNSS distintos.
Resolução de ambiguidade de fase
A RTK utiliza a fase da portadora para obter precisões centimétricas. Resolver as ambiguidades inteiras das ciclos portadores requer um satélite adicional além dos quatro iniciais, totalizando cinco como mínimo para uma solução “fix”.
- 4 sinais: solução “float” (precisão decimétrica a métrica).
- 5 sinais: início da resolução de ambiguidades (solução “fix” centimétrica).
- Mais de 5: ganho em robustez, redução do tempo de convergência.
Quantidade mínima de satélites para uma solução RTK confiável
Embora teoricamente cinco satélites sejam suficientes, na prática a obstrução por árvores, edifícios e interferências reduz a quantidade disponível. Recomenda-se operar com no mínimo 8 a 10 satélites em vista para manter estabilidade e rapidez no “fix”.
- Condições ideais (céu aberto): mínimo de 6 satélites para fix em menos de 10 s.
- Áreas urbanas ou com cobertura vegetal densa: 10–12 satélites para manter qualidade de solução “fix”.
- Uso de multi-constelação: aumenta a disponibilidade acima de 15 satélites visíveis.
Para potencializar esta visibilidade, contar com um equipamento RTK multi-constelação faz toda a diferença.
Vantagens do uso de receptores multi-constelação com 1408 canais da Geomensura
Os receptores Geomensura G50, G70 e G90 destacam-se pela capacidade de rastrear simultaneamente todas as constelações GNSS em até 1408 canais. Isso resulta em:
- Redução do tempo médio de convergência para solução “fix” (Time To First Fix) para menos de 8 segundos.
- Precisão relativa centimétrica mesmo em cenários desfavoráveis.
- Maior redundância de satélites, permitindo continuidade do levantamento em caso de perda de sinal.
- Compatibilidade com múltiplas frequências (L1/L2/L5, E1/E5, B1/B2 etc.).
Quando e como utilizar sistemas RTK com alto número de canais
- Levantamentos topográficos de alta precisão: definição de níveis de piso, controle de deformações.
- Georreferenciamento de obras civis: monitoramento de estacas e posicionamento de estruturas.
- Cadastramento de redes de infraestrutura subterrânea: maior agilidade na coleta de pontos críticos.
- Execução de perfis e seções transversais em rodovias e ferrovias: ganho operacional e redução de retrabalho.
Limitações e fatores que podem reduzir o número de satélites visíveis
- Sombreamento por edificações, taludes ou vegetação densa.
- Interferência eletromagnética (RFI) em frequências GNSS.
- Orientação inadequada do receptor ou montagem imprecisa do bastão.
- Altitude excessiva de antena em áreas de relevo acidentado.
Erros comuns na aquisição de satélites e boas práticas para mitigação
- Configuração de porta de comunicação incorreta: verifique protocolos NTRIP e radio modems.
- Uso de mastros metálicos sem isoladores: utilize isoladores dielétricos para minimizar multipath.
- Não atualização de efemérides: mantenha o firmware dos receptores sempre na versão mais recente.
- Direcionamento correto da antena: garanta linha de visada ampla para o céu.
- Verificação de geóides e modelos atmosféricos: aplique modelos locais quando disponíveis.
Normas aplicáveis ao uso de RTK em levantamentos topográficos
- ABNT NBR 13.133 – Leitura de ângulos e distâncias em topografia.
- ABNT NBR NM ISO 17123-8 – Procedimentos de teste de campo para sistemas GNSS.
- ABNT NBR 14.653 – Práticas para medições de nivelamento geométrico.
- Especificações de precisão do IBGE para levantamentos geodésicos.
- Recomendações FGDC (Federal Geographic Data Committee) para qualidade de dados GNSS.
Exemplos práticos de aplicação: comparativo de desempenho
Cenário A – Receptor monofrequência em área urbana densa:
- Satélites visíveis: 6–7.
- Time To First Fix: 25–30 s (float na maior parte do tempo).
- Precisão média: 10–20 cm (solução float).
Cenário B – Receptor Geomensura G90 multi-constelação 1408 canais:
- Satélites visíveis: 18–20.
- Time To First Fix: < 8 s (solução fix consistente).
- Precisão média: 1–2 cm (fix completo).
Impacto na produtividade e lucratividade operacional
- Redução de até 40% no tempo de levantamento devido ao rápido fix GNSS.
- Diminuição de retrabalho e retriangulações em terrenos críticos.
- Otimização de mão de obra e melhor alocação de equipes de campo.
- Retorno sobre investimento (ROI) acelerado com menor tempo de processamento de dados.
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